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RESULTADOS

ITINERÁRIO TÉCNICO

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De modo a poder adaptar as operações necessárias à produção da colza, é necessário ter em conta as suas necessidades em termos de:

1|

CLIMA E TEMPERATURA

2|

SOLOS

3|

NECESSIDADES HÍDRICAS

4|

TÉCNICA CULTURAL E SEMENTEIRA

5|

FERTILIZAÇÃO

6|

COLHEITA

CLIMA E TEMPERATURA

A colza é uma espécie de clima temperado, sendo produzida em regiões caracterizadas pelas baixas temperaturas no Inverno e elevada luminosidade no Verão, com grande variação anual da temperatura e do fotoperíodo. É também sensível à acama fisiológica, que pode ser acentuada pela ocorrência de ventos forte.

 

O seu comportamento é condicionado pela temperatura, nomeadamente a temperatura do solo, a qual pode condicionar a germinação das sementes, devendo existir uma temperatura superior a 6ºC. Quando a temperatura do solo é superior a 10-12ºC, a emergência é rápida e pode ocorrer após 6 a 10 dias.

FASE

COMPORTAMENTO CONDICIONADO PELA TEMPERATURA

Cotildonar

Colza é sensível ao frio. Não suporta temperaturas inferiores a - 3ºC.

Roseta (aparecimento da primeira folha verdadeira até ao início do alongamento do caule)

Floração

A Colza pode suportar temperaturas negativas

(Variedades de Inverno: -15ºC / Variedades de Primavera: -8ºC)

Adapta-se à ocorrência de geadas tardias, uma vez que a floração é escalonada. Temperaturas elevadas podem provocar aborto floral.

SOLOS

Tipo de solo: Por norma, os solos não são um fator limitante ao cultivo da colza. Esta cultura, apresenta uma elevada capacidade de adaptação aos vários tipos de solos, com melhor adaptabilidade aos solos francos.

Drenagem: Esta cultura é suscetível à asfixia radicular nas suas diferentes fases de desenvolvimento, o que a torna pouco resistente ao encharcamento. Como tal, a drenagem, ou neste caso a falta dela, é uma limitação ao cultivo da colza.

Reação fisiológica (pH): É uma espécie tolerante à salinidade e a diferentes pHs (pode variar de solos ácidos - pH 5,5 - a solos alcalinos - pH 8-).

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NECESSIDADES HÍDRICAS

Com o decorrer do processo de maturação das sementes as necessidades de água vão diminuindo. Como as sementes têm um tamanho muito reduzido e a cultura necessita de muita água na fase de sementeira, os solos devem ter um teor de humidade adequado nesta fase do ciclo. A fase crítica em que a falta de água afeta negativamente o desenvolvimento da cultura e a produção de grão, é a fase da floração.

Figura 1 - Planta com raíz pouco desenvolvida devido a encharcamento na Quinta da Alorna

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Figura 2 - Sementeira na Comenda | 16/10/2019

TÉCNICA CULTURAL DA SEMENTEIRA

A cultura da colza apresenta uma técnica cultural semelhante à de outros cereais de Inverno. A sementeira deve ser mais cuidadosa, uma vez que as sementes têm menor calibre. É por esta razão que se deve fazer uma boa preparação do solo, criando bastante terra fina. Na preparação do solo procede-se, normalmente, a: uma escarificação e a uma gradagem, para o solo ficar muito bem preparado para receber as sementes. Importa sobretudo eliminar o caule de lavoura porque a colza tem uma raiz profunda. A sementeira deve efetuar-se em outubro, com um semeador de linhas que permita ser regulado para distribuir sementes com calibre reduzido ou um semeador de sementeira direta. A data da sementeira permite que as plantas façam rapidamente uma cobertura completa na entrelinha garantindo a utilização mais eficiente da energia solar, melhor controlo de infestantes e da erosão. Um atraso na data de sementeira pode significar uma redução significativa na produção de grão, sobretudo nas variedades de ciclo mais longo. A densidade de sementeira é difícil de regular, devido à dimensão da semente e paralelamente ao reduzido peso de semente a colocar por hectare. A colza ramifica muito bem, pelo que um excesso de densidade pode levar a que a colza fique muito alta e acame. Torna-se prejudicial para o desenvolvimento da cultura e produção de grão.

FERTILIZAÇÃO

Relativamente à fertilização, sendo a colza uma planta da família das crucíferas, apresenta elevadas exigências em enxofre e azoto. Deste modo, a aplicação de azoto em cobertura deverá ter em conta um adubo que também inclua enxofre. É importante cumprir com as necessidades de boro, uma vez que a sua carência pode influenciar significativamente a produtividade e qualidade do óleo.

NUTRIENTES

NECESSIDADES

FERTILIZAÇÕES MÉDIAS (KG/TON PRODUZIDA)

Azoto

Fósforo

Potássio

Micronutrientes (boro, zinco e/ou cobre)

Apresenta uma elevada exigência em azoto, mas baixa eficiência de uso do nutriente. Uma deficiência em azoto reduz a produtividade da cultura da colza, porém, o seu excesso também pode prolongar a fase vegetativa (aumenta a suscetibilidade a doenças e pragas e diminui o teor em óleo das sementes).

35 kg de azoto

As adubações de cobertura deverão aplicar-se até ao final da fase de roseta (janeiro/fevereiro). À sementeira deverão aplicar-se 20 a 30 kg/ha de azoto e em cobertura cerca de 50 kg/ha por aplicação.
 

Influencia o desenvolvimento radicular da planta, método de aplicação, disponibilidade natural de fósforo no solo, disponibilidade de água e temperatura.

25kg de fósforo

A cultura extrai quantidades elevadas, mas apenas uma pequena parte passa para as sementes.

A sua aplicação pode levar a aumentos de produção.
 

35 kg de potássio

Na colza normalmente aplica-se menos potássio que na maioria das outras culturas.

25 kg de boro

Aplicado com molibdénio antes do início da floração.

COLHEITA

A colheita é um dos pontos chave da cultura, devido à maturação escalonada das sementes. A maturação ocorre de baixo para cima na haste principal, seguindo-se da mesma forma nos ramos secundários (É necessário ter em conta que as silíquas são deiscentes. Isto significa que vão abrindo à medida que vão ficando maduras, o que origina perdas pela queda das sementes que podem ser significativas).

 

Pré-colheita: recolhe-se uma amostra de ramos para analisar a humidade, que é dos fatores analisado pela indústria.

Na colheita: utiliza-se uma ceifeira debulhadora (com pente específico para colza ou pente de cereais) que deve ser ajustada ao tipo de palha e ao tamanho da semente.

Pós-colheita: as sementes são analisadas pela indústria, neste caso a Sovena.

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Figura 3 - Colheita da cultura no ensaio localizado em Almeirim.